Shrek – O Musical é uma experiência extremamente divertida e imersiva, marcada por um ritmo vivo e envolvente.
Os cenários transportam o público para um universo de fantasia, proposta estética reforçada pela caracterização dos personagens, o que faz com que, por algumas horas, o espectador se sinta dentro de uma animação, de um verdadeiro conto de fadas.
No elenco, Evelyn Castro, que dá vida ao Burro, se destaca pelo tempo cômico extremamente preciso. Sua atuação é marcada por um humor sagaz, que se torna um dos pontos altos do espetáculo, contribuindo, diretamente, para a conexão com o público.
Já Tiago Abravanel, no papel de Shrek, traz a robustez de um ogro, inicialmente rabugento e mal-humorado, mas que, ao desenrolar da história, revela camadas mais sensíveis.
Essa construção evidencia que sua personalidade forte está enraizada em traumas, o que adiciona profundidade ao personagem.
Fabi Bang, interpretando Fiona, equilibra a delicadeza clássica das princesas com momentos mais intensos de sua versão ogra. A comédia é um traço marcante em sua performance, algo já conhecido em sua trajetória, como em sua interpretação de Glinda. No entanto, em Shrek, Fabi apresenta uma construção cômica distinta, trazendo novas nuances à personagem. Um destaque especial vai para o solo de sapateado na abertura do segundo ato, um dos momentos mais marcantes.
A montagem também se apoia no conforto de uma história já consagrada pelo público, graças ao clássico da DreamWorks. Ao mesmo tempo, incorpora elementos da cultura brasileira, o que aproxima ainda mais a narrativa da plateia. Personagens como Cuca e Emília são inseridos de forma interessante, contribuindo para a composição do ensemble e reforçando essa adaptação cultural.
Myra Ruiz, que já havia vivido Fiona como cover na montagem de 2013, retorna agora ao universo de Shrek com uma abordagem ainda mais madura e autoral, dividindo o papel com Fabi Bang. A atriz se distancia com elegância de trabalhos anteriores, especialmente de sua marcante Elphaba, para dar vida a uma Fiona leve, carismática e cheia de força.
Sua interpretação evidencia um cuidado minucioso na construção da personagem, equilibrando com precisão a delicadeza de uma princesa e a autenticidade irreverente de uma ogra. Myra imprime personalidade em cada gesto e escolha cênica, revelando uma Fiona que transita com naturalidade entre o humor e a potência emocional.
De forma geral, o musical se sustenta pela leveza, pelo carisma do elenco e pela sensação de ver não apenas os personagens, mas também os próprios atores se divertindo em cena. A estreia será no dia 15 de abril, no Teatro Renault, com sessões de quarta a domingo.
Matéria:
Maysa Caires @maysenanoteatro
Fotos:
Letícia Marques @lemarquesfilm
Geovana Vergari @geovanavergari
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