FUNDAÇÃO CLÓVIS SALGADO realiza exposição inédita do artista anglo-americano MAC ADAMS

Essa é a primeira vez que as obras do artista são expostas em Minas Gerais Galeria Mari’Stella Tristão será ocupada por trabalhos que abordam narrativas sobre crime;

 

O público da Fundação Clóvis Salgado recebe, a partir da segunda semana de novembro, um convite para desvendar as narrativas criminais do artista anglo-americano Mac Adams. Esse conjunto de obras que promete despertar a curiosidade do observador estará reunida na exposição Sombras e Mistérios, que reúne três esculturas e 28 fotografias do artista na Galeria Mari’Stella Tristão. Com curadoria do produtor cultural Luiz Gustavo Carvalho, a exposição inédita em Belo Horizonte já passou pelas cidades de São Paulo e Recife, e recebeu mais de 4 mil visitantes. Mac Adams tem uma importância fundamental no cenário de artes visuais norte-americano a partir da segunda metade do século XX. Ao longo de sua carreira, ele se tornou parte de um movimento conhecido como Narrative Art (Arte Narrativa).

A vertente engloba artistas que utilizam de construções textuais fictícias dentro de suas obras – no entanto, Adams se distancia deste conceito por decidir não utilizar a palavra, e sim adotar uma abordagem mais semiótica para a narrativa, na qual a imagem tem um papel fundamental. Dessa forma, o artista cria fotografias e instalações que instigam o observador a pensar e a criar possíveis histórias para os registros, que retratam cenas criminais cheias de mistério.

A Expografia de Sombras e Mistérios é concebida para que o público possa construir essas narrativas. “A partir dos códigos e signos existentes no universo criativo do artista, e da bagagem e cultura visual de cada espectador, todos são convidados a imaginar as histórias por trás das obras”, conta Carvalho, que se diz realizado ao contribuir como curador para mais uma exposição na FCS após o sucesso da mostra A URSS Através da Câmera, que permaneceu em cartaz na CâmeraSete até a última semana. “Trabalhar com a Fundação Clóvis Salgado é sempre um momento muito especial. Creio que a obra de Mac Adams transgride os limites impostos por uma linguagem visual específica, e estou convicto que a atual gestão da FCS realizou um trabalho marcado por um grande refinamento e ousadia em buscar tal artista”, destaca.

Ainda segundo o curador, o aspecto mais importante da obra de Adams é a capacidade do artista de questionar o papel da sociedade perante histórias desconcertantes, retirando o observador de sua zona de conforto. “Temos a possibilidade de penetrar em diversas camadas da obra de Adams. Podemos ser meramente voyeurs, cúmplices e até testemunhas do que vemos. Creio que este questionamento é urgente e extremamente pertinente em diversas sociedades, inclusive na atual sociedade brasileira”.

Crimes ocultos – Sombras e Mistérios apresenta ao público uma das séries mais famosas de Mac Adams, Tragédias Pós-Modernas, desenvolvida pelo artista na década de 1980 como uma forma de reflexão sobre as políticas econômicas desenvolvidas por Margaret Thatcher e Ronald Reagan, no Reino Unido e nos Estados Unidos, respectivamente.

Nas fotografias, o artista provoca colisões entre as tragédias sociais e utensílios de design: Mac Adams reflete na superfície de objetos espelhados cromados algumas situações violentas e inquietantes, que contradizem completamente as formas metálicas perfeitas. “Em uma época onde a palavra pós-verdade foi escolhida como uma das palavras que melhor representa a nossa sociedade, é impressionante ver a contemporaneidade desta série em diversas culturas”, comenta Carvalho.

A exposição conta ainda com os trabalhos do artista que dialogam com a sombra. “Este elemento, que vem fascinando a humanidade desde a Antiguidade, é abordado por Mac Adams por meio de esculturas, nas quais estruturas abstratas projetam sombras figurativas”, explica Carvalho. Estes trabalhos influenciaram importantes artistas americanos, como Tim Nobel e Sue Webster.

Mac Adams – Nascido em Brynmawr (país de Gales, Reino Unido) em 1943, estudou na Escola de Arte e Design de Cardiff entre 1962 e 1967. Adams concluiu o seu mestrado em belas artes pela Universidade de Rutgers. Em 1969, integrou a primeira exposição de ‘Soft Art’ no New York State Museum. Em 1970, mudou-se para a cidade de Nova York onde vive e trabalha atualmente. Foi um dos fundadores da Arte Narrativa, movimento artístico surgido nos Estados Unidos na década de 1970. Em 1974, sua primeira série, “Mistério”, foi exibida na lendária Galeria Green Street. Mac Adams realizou mais de 13 encomendas de arte pública em larga escala, entre as quais destaca-se o War Memorial Battery, em Nova York, o primeiro grande memorial dedicado à Guerra da Coreia nos Estados Unidos. Vencedor de inúmeros prêmios pela sua obra, tais como o “Pollock/KrasnerFoundation Award”, em 2013 e o prêmio por pesquisa artística da Universidade de Nova York, em 2002. Suas obras integram as coleções de fotografia do Victoria and Albert Museum (Londres), Museu de Arte Moderna do Centre Pompidou (Paris) e Museu de Arte Moderna (New York), entre outros. Exposições nos principais centros de arte contemporânea tais como o Museu de Arte Moderna de Luxemburgo (MUDAM), o Musée Nicéphore Niépce (Chalon-surSaône), Neue Galerie-Sammlung Ludwig (Aachen), Musée Jeu de Paume (Paris), MOCAK (Cracóvia) e MoMa (Nova York) registram a importância deste artista no cenário artístico contemporâneo.

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